terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Viver inteira

Quando uma perda irreparável acontece, além de todos os sentimentos aflorarem, é preciso continuar inteira. Um turbilhão passa em nossa mente, o coração acelera e nosso movimento expressa estarmos ligados em uma voltagem quase irreconhecível.
Repetem-se os fatos ocorridos inúmeras vezes, avaliando-se tudo o que aconteceu.
Busca-se o que foi bom dentro de toda uma tristeza, que toma conta do nosso ser.
Por mais de quatro anos Alberto esteve em controle constante, fazendo exames, procedimentos, numa estratégia de ação, dentro de um 
atendimento de excelência, que lhe possibilitou viver com relativa qualidade. 
Em todo esse tempo não houve grandes sobressaltos nem grandes ameaças, que possibilitou nossa vida seguir unida. Esse desfecho final, de certa forma, surpreendeu, mas avaliando-se o atendimento consistente, com qualidade e afeto, só podemos nos tranquilizar por tudo ter ocorrido dessa forma. 
Hoje, não dá para negar a dor. 
Elabora-la devagar para não torná-la insuportável, nessa continuidade de vida. 
Procuro encarar  de frente, tudo que ocorreu e vou sentindo meu coração se aquietar, discernindo o essencial.
Não dá para anular toda nossa vida em comum. Nossos quase 54 anos de casamento, a família que formamos dando frutos, me fortalece para seguir em frente, em uma nova aprendizagem de vida.
E, aí, lembro da metáfora do rabino, que a vida não termina com a morte, pois as maçãs ficam com suas sementes dando frutos com novas sementes.
E segue a Vida!





Nenhum comentário:

Postar um comentário