sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Capão com tristeza


Fez uma semana que Alberto faleceu e vim para Capão para ver se amainava a eletricidade interna e essa sensação de tristeza que traz suspiros profundos, a todo momento.
A presença dele está em todo lugar e também na falta que faz nas atividades domésticas e cotidianas. Meu filho, minha nora, meus netos, que aqui estão, frequentemente citam comentários e ações do Alberto. Era, partircularmente, caseiro e ocupava-se sempre com algo que envolvia a família.
É difícil mexer em seus objetos pessoais que mostram sua particular organização. Algumas fotos esparsas dentro de sua agenda, que precisei consultar, situam algum momento, em especial.
Parece sermos intrusos mexendo suas coisas.
Sei que a escuridão interna vai clarear, mas preciso de tempo.
Acreditar em sua morte ainda me confunde.
Aos poucos olho ao meu redor e sinto mais forte sua ausência.
Pensamentos vão e vem, dando a consciência da realidade que mudou, e um vazio se faz presente.
Pensei estar preparada para esse momento, mas não estou.
Me inquieto, não consigo ficar parada, procuro me ocupar.
Respiro fundo, para me aquietar e tentar elaborar o significado dessa perda recente.
O tempo vai contribuir para acalmar minha mente.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Viver inteira

Quando uma perda irreparável acontece, além de todos os sentimentos aflorarem, é preciso continuar inteira. Um turbilhão passa em nossa mente, o coração acelera e nosso movimento expressa estarmos ligados em uma voltagem quase irreconhecível.
Repetem-se os fatos ocorridos inúmeras vezes, avaliando-se tudo o que aconteceu.
Busca-se o que foi bom dentro de toda uma tristeza, que toma conta do nosso ser.
Por mais de quatro anos Alberto esteve em controle constante, fazendo exames, procedimentos, numa estratégia de ação, dentro de um 
atendimento de excelência, que lhe possibilitou viver com relativa qualidade. 
Em todo esse tempo não houve grandes sobressaltos nem grandes ameaças, que possibilitou nossa vida seguir unida. Esse desfecho final, de certa forma, surpreendeu, mas avaliando-se o atendimento consistente, com qualidade e afeto, só podemos nos tranquilizar por tudo ter ocorrido dessa forma. 
Hoje, não dá para negar a dor. 
Elabora-la devagar para não torná-la insuportável, nessa continuidade de vida. 
Procuro encarar  de frente, tudo que ocorreu e vou sentindo meu coração se aquietar, discernindo o essencial.
Não dá para anular toda nossa vida em comum. Nossos quase 54 anos de casamento, a família que formamos dando frutos, me fortalece para seguir em frente, em uma nova aprendizagem de vida.
E, aí, lembro da metáfora do rabino, que a vida não termina com a morte, pois as maçãs ficam com suas sementes dando frutos com novas sementes.
E segue a Vida!