segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A idade avança

Recebi de aniversário da minha neta primogênita Juliana o livro " Que ninguém nos ouça" de Leila Ferreira e Cris Guerra- Terapia virtual entre duas mulheres. 
Excelente livro!
Ju foi original, já na dedicatória, quando disse que preparou uma edição especial, pois assinalou as partes que tinha a ver com ela, comigo, conosco e que mais gostou.
Minha emoção começou com a dedicatória, por perceber o afeto e a sensibilidade da Ju, por escolher e preparar um presente pra mim, com a minha cara, com tudo a ver comigo.
Desde sempre fomos muito ligadas e assim como influí na sua formação, ela influi na minha vida.
A ligação que tenho com ela, tenho com os meus outros quatro netos, que me enchem de orgulho e acrescentam muito afeto em mim.
O livro me fez refletir muito, pela relação estabelecida entre as duas mulheres.
Trocavam e-mails relatando passagens de suas vidas, ligaram-se em uma grande amizade e ajudavam-se mutuamente.
Muito do que era abordado me instigava a refletir e me estimulou a esse texto.
 Um dos aspectos foi sobre o tempo, que está sempre presente no meu pensamento. Talvez, porque completei 77 anos (par de 7, número cabalístico) e que me fez ver que estou muito mais próxima dos 80 do que dos 70.
Onde foi parar o tempo? Como não me dei conta?
Sinto que dentro de mim vive uma criança sensível, alegre, e que, às vezes chora, expressando com verdade o que sente, na gana de viver. Mas o tempo passou...
Brigo com o tempo e não sendo muito pacienciosa, não gosto de ser cobrada, por nada!
Faço minhas escolhas, o melhor que sou capaz, e não me arrependo das que não fiz, das que tive que abrir mão.
Busco viver e valorizar os momentos de alegria e prazer, principalmente com minha família e amigos, que me trazem a sensação real de pertencimento e estar aconchegada.
A medida que a idade avança, procuro ter equilíbrio interno saudável, para não perder a vontade de aprender com novos olhares, que abram espaços dentro de mim.
 A idade avança e por não perceber tento me convencer dessa realidade.
A idade avança e cada vez mais quero poder ter saúde, independência de ação, abertura para o novo com autonomia.
Apesar de não gostar de me desacomodar e gostar da rotina, com o avançar da idade sei que o tempo urge e não há tempo a perder





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