Hoje é o último dia dos meus 70 anos.
Fui feliz mais um ano e novo ciclo inicia amanhã com a nova idade.
Não posso dizer que "sempre" fui feliz, porque essa palavra é frágil e em muitos momentos quebrou.
Tenho inquietações, faço a tentativa de segurar o tempo e controlar meus medos.
Sei que sou fruto das minhas experiências de ontem que refletem, hoje, no que faço, na maneira de agir na vida.
Meu desafio é viver o desenrolar da minha vida avaliando as coisas que me rodeiam, usufruir com alegria as pessoas, as possibilidades que se apresentam, os projetos que crio, desabrochar e não me deixar murchar.
Busco no tempo uma luz para projetar no presente o bom que não se perdeu e me encantar na capacidade de viver.
Deixo vir à tona o meu melhor e não quero me fragilizar antecipadamente.
Procuro ouvir minha voz interior que me auxilia a encontrar com alegria belas experiências. Acredito que tenho a capacidade de mudar e sempre me encantar com a vida.
A idade chegou num patamar de onde consigo enxergar melhor o que há pra ver.
Procuro superar dores, cumprir tarefas, realizar aquilo que sou capaz
Muitas coisas impensáveis consigo realizar e a minha vida me convida a vibrar com o que me rodeia e, às vezes, me vejo como um mistério ainda a desvendar.
A tarefa de viver nunca se conclui, pois tenho sonhos e expectativas que se acumulam.
Tenho consciência da passagem do tempo, da morte, da ansiedade e da melancolia que às vezes me cerca, mas tenho dentro de mim a capacidade de recuperação de sonhos e de novos projetos. Sei que sou a responsável pelas decisões que tomo frente à vida.
Sou real na minha maturidade que me permite olhar com menos ilusões, entender com mais tranquilidade, aceitar com menos sofrimento e ter a liberdade de ser o que posso ser agora.
E a cada dia posso tecer algo novo e não abdicar da minha condição.
Respeito minha essência, não solapo a confiança que tenho na vida e em mim, me deslumbro diante das experiências e me renovo a cada uma.
Preservo meu espaço, minha liberdade, meus desejos.
Penso na morte com um sentimento de impotência e vazio, o que me deixa fragilizada, mas sei que desde que nascemos andamos em direção a ela.
E aí cabe avaliar melhor minha maneira de viver, contemplar o que me rodeia e usufruir a plenitude das experiências.
Viver em paz é tão bom!!!
Mas nada é permanente.
Meu corpo não é mais adolescente, as rugas aparecem, sou mais frágil fisicamente, externa e internamente vou atrofiando, mas não perco a possibilidade de buscar viver cada vez melhor.
Quero levar a vida de maneira leve e doce, pois tenho muitas buscas a fazer.
Sinto algumas vezes que sou âncora, mas na maioria das vezes quero ter asas. Não me aquieto.
Não me sinto acomodada, não me deixo sufocar.
Muitas vezes tenho incertezas, sou dura, erro, me exponho, me abro, sou impaciente e sou frágil.
Procuro entender minhas carências, meus contrastes, não me deixar sufocar, pois não tenho respostas pra tudo.
E, aí, olho ao meu redor, valorizo tudo que tenho de bom e me percebo inteira de novo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário