sábado, 26 de fevereiro de 2011

Gramado - Uma semana de prazer

Essa semana que tenho em Gramado me inspira ao sossego.
O Pousada está quase vazio e poucos dos 75 aptos têm hóspedes.
O salão aconchegante tem quase ninguém e me sinto dona de todos os espaços.
Desço para ler os jornais e de vez em quando bato papo com alguém.
A certeza da calma que vou encontrar me dá uma sensação de bem-estar, pois como venho da agitação de Capão, reabasteço minhas energias.
Quando estou em Capão e se aproxima o período de vir para Gramado me dá uma preguicinha, mas depois que aqui chego usufruo da beleza ao redor, da paz do ambiente, me sentindo privilegiada desse poder.
A sacada do apto 319 do meu período fixo, dá para uma vegetação belíssima e traz uma serenidade para ler, observar e refletir sobre todas as possibilidades para fazer.
Me encanto com a temperatura agradável, que faz com que usemos um cobertor à noite.
Variadas temperaturas durante o dia: sol, garoa, nublado, fazem de Gramado algo especial.
Quando se sai para caminhar não dá para prever se o tempo vai se manter estável.
Não me importa que haja estabilidade.
Trouxe maiô para ir para a piscina, mas ainda não me apeteceu.
Nem me aproximo da sala de aparelhos para ginástica.
Tenho a sensação que fico em banho maria ou lagarteando, não me comprometendo com nada especial.
É dessa forma que me apraz usufruir Gramado.
Alberto comentou ontem, no nosso 2º dia aqui, que parece que estamos há mais de uma semana.
E eu já sinto pena da rapidez com que está passando, pois gostaria de usufruir com mais vagar tudo isso que nos rodeia, pois sempre acho que o tempo voa.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Vizinhança

Interessante o que observo na convivência com vizinhos.
Como em POA moro numa casa, não tenho a mesma vivência como com os vizinhos da praia. Morando em casa cumprimenta-se os vizinhos que passam em frente, troca-se poucas palavras, mas cada um respeita a privacidade do outro e há um afeto no ar.
Sempre tive apto na praia. Esse é o 3º que tenho em Capão.
Como o tempo livre é maior, tem-se um foco comum da ida diária à praia, desce-se pelo elevador comum várias vezes ao dia, passa-se pela mesma porta do prédio, contata-se mais com as pessoas.
Nos prédios anteriores fiz grandes amizades que se mantém até hoje, como "amigos da praia".
Nunca havia contatado com pessoas inconvenientes, agressivas, dissimuladas como nesse último prédio em que moro. Ainda bem que é minoria.
É muito desagradável!
A maioria das pessoas são agradáveis, simpáticas, amistosas.
Mas nunca mais fiz grandes amizades como nos prédios anteriores.
Será que faz parte do mundo atual, que as pessoas ficaram diferentes, mais desconfiadas, mais inseguras, menos afetivas?
Sempre tive necessidade de manter esse lado das amizades com alto astral e quando isso não ocorre me deixa desiludida e chateada.
Procuro ligar-me a pessoas que pensam como eu.
Ainda bem que as encontro, ainda!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Meu imaginário

Meu imaginário é rico e às vezes sou impaciente, me desencanto.
Mas na maioria da vezes me encanto com tudo e com as pessoas.
Sou cheia de certezas e também de contraditórios, mas como sou realista logo tenho os pés no chão.
Fico entediada quando sinto não ter algum objetivo de ação.
Me comunico facilmente e busco ser ponte com as pessoas.
Consigo achar sempre algo de bom e consigo aprender algo novo a todo momento.
Me sinto viva, cheia de gás, de energia...
Percebo as mudanças ao meu redor, os tons, os sons, o ritmo e, em cada ação, sinto que estou viva!
Os acontecimentos e meus filhos com seus filhos independem de mim e seguem seus caminhos, o que me deixa mais leve.
Procuro aceitar essas transformações da vida ao meu redor com sensatez, aproveitando o convívio e a troca que se estabelece, sabendo que não tenho respostas pra tudo e tampouco obrigação de ser cada vez mais competente e eficaz.
Algumas coisas se perdem e outros ganhos acontecem e os ciclos vão acontecendo num movimento contínuo.
É impossível não querer perder nunca, mas a certeza que algo novo sempre surgirá acalenta meu interior
O convívio me aquece, não tenho mais a exigência de tudo ser perfeito, os contrastes me surpreendem e continuo aprendendo sobre mim mesma.
Entendo mais minhas carências, minhas urgências, minhas incertezas, minhas decepções...
Sou forte e frágil ao mesmo tempo.
Me comovo facilmente, me machuco com decepções, com gestos e palavras que me desagradam, com críticas injustas, com desvalorizações do que faço.
Choro facilmente, protesto diante de injustiças.
Preservo meu espaço, minha liberdade, meus desejos, não abdico de mim.
Essa experiência com a vida dentro do meu imaginário é que dá a graça, a riqueza, a possibilidade e a capacidade de um contínuo renovar-me frente ao cotidiano.
É confortável saber que as coisas e os fatos não são permanentes e nunca tudo é sempre bom ou sempre ruím.
Viver com equilíbrio, encontrar relativa satisfação e alegria, menos sofrimento e mais tranquilidade e doçura é o desejo que me nutre.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Meu Dia da Mágica

Hoje é o último dia dos meus 70 anos.
Fui feliz mais um ano e novo ciclo inicia amanhã com a nova idade.
Não posso dizer que "sempre" fui feliz, porque essa palavra é frágil e em muitos momentos quebrou.
Tenho inquietações, faço a tentativa de segurar o tempo e controlar meus medos.
Sei que sou fruto das minhas experiências de ontem que refletem, hoje, no que faço, na maneira de agir na vida.
Meu desafio é viver o desenrolar da minha vida avaliando as coisas que me rodeiam, usufruir com alegria as pessoas, as possibilidades que se apresentam, os projetos que crio, desabrochar e não me deixar murchar.
Busco no tempo uma luz para projetar no presente o bom que não se perdeu e me encantar na capacidade de viver.
Deixo vir à tona o meu melhor e não quero me fragilizar antecipadamente.
Procuro ouvir minha voz interior que me auxilia a encontrar com alegria belas experiências. Acredito que tenho a capacidade de mudar e sempre me encantar com a vida.
A idade chegou num patamar de onde consigo enxergar melhor o que há pra ver.
Procuro superar dores, cumprir tarefas, realizar aquilo que sou capaz
Muitas coisas impensáveis consigo realizar e a minha vida me convida a vibrar com o que me rodeia e, às vezes, me vejo como um mistério ainda a desvendar.
A tarefa de viver nunca se conclui, pois tenho sonhos e expectativas que se acumulam.
Tenho consciência da passagem do tempo, da morte, da ansiedade e da melancolia que às vezes me cerca, mas tenho dentro de mim a capacidade de recuperação de sonhos e de novos projetos. Sei que sou a responsável pelas decisões que tomo frente à vida.
Sou real na minha maturidade que me permite olhar com menos ilusões, entender com mais tranquilidade, aceitar com menos sofrimento e ter a liberdade de ser o que posso ser agora.
E a cada dia posso tecer algo novo e não abdicar da minha condição.
Respeito minha essência, não solapo a confiança que tenho na vida e em mim, me deslumbro diante das experiências e me renovo a cada uma.
Preservo meu espaço, minha liberdade, meus desejos.
Penso na morte com um sentimento de impotência e vazio, o que me deixa fragilizada, mas sei que desde que nascemos andamos em direção a ela.
E aí cabe avaliar melhor minha maneira de viver, contemplar o que me rodeia e usufruir a plenitude das experiências.
Viver em paz é tão bom!!!
Mas nada é permanente.
Meu corpo não é mais adolescente, as rugas aparecem, sou mais frágil fisicamente, externa e internamente vou atrofiando, mas não perco a possibilidade de buscar viver cada vez melhor.
Quero levar a vida de maneira leve e doce, pois tenho muitas buscas a fazer.
Sinto algumas vezes que sou âncora, mas na maioria das vezes quero ter asas. Não me aquieto.
Não me sinto acomodada, não me deixo sufocar.
Muitas vezes tenho incertezas, sou dura, erro, me exponho, me abro, sou impaciente e sou frágil.
Procuro entender minhas carências, meus contrastes, não me deixar sufocar, pois não tenho respostas pra tudo.
E, aí, olho ao meu redor, valorizo tudo que tenho de bom e me percebo inteira de novo.