Cada dia que passa sinto que não sou mais a mesma fisicamente, pois ando mais devagar, levanto-me com algumas dores, mas tento não demonstrar às pessoas que me cercam.
Essa condição física contrasta com a juventude interna que possuo, pois busco qualidade de vida e recursos para alcançá-la, através da alimentação, da paz de espírito, da leitura, da atividade física e da minha mente, que é estimulada pela observação do que ocorre ao meu redor, que compensa as mudanças inerentes do envelhecer.
Minha força interna me impulsiona a apreciar o avanço da ciência e da tecnologia e a fazer uso delas.
O viver na praia no verão, estendido até a entrada do outono é um privilégio que eu valorizo, pela convivência ímpar com a natureza que me cerca, que nunca se apresenta da mesma forma, com o sol e a lua aparecendo quase todos os dias, interferindo no colorido do céu e do mar, com suas ondas brancas, num eterno vai e vem, que acalmam meus pensamentos, minha visão e me emocionam.
É o meu quadro vivo mutante diário, que da minha sacada aprecio, sem monotonia.
Apesar do declínio físico, as habilidades cognitivas e mentais não impedem da maturidade emocional se fortalecer e se sobressair!
A bicicleta continua sendo meu meio de locomoção nessa cidade plana, praiana, que conheço tão bem!
Minha genética somada ao meu cuidado físico e à vitalidade interna não me paralisam e favorecem minha capacidade de aprender, de mudar e de evoluir permanentemente e de continuar me encantando e usufruindo cada momento presente, respeitando minhas limitações e favorecendo escolhas adequadas e pertinentes à minha idade.
Penso nos meus 82 anos com carinho por manter-me rodeada de pessoas que eu quero bem e retribuem esse meu querer.