quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Reflexão sobre envelhecimento

    O envelhecimento não acontece de um dia para o outro, mas de repente me dei conta que estava tendo consciência mais clara sobre essa etapa da vida. Nada a ver com "3a idade" ou com a "melhor idade", mas como me atinge, como sinto, e pude pensar em vários aspectos.

    Sutilmente observo, que comecei a me sentir mais frágil, com menos força, com maior limitação, que a memória muitas vezes falha, assim como as palavras me faltam, em algum momento, quando quero expressar uma idéia.

   Dei-me conta também, que a audição e a visão diminuíram, assim como os projetos de Vida, pelo pouco futuro pela frente e percebo que hoje, realizar as coisas exigem um esforço muito maior.

   Apesar das perdas e de saber que estou na linha de frente, viver nos dias de hoje, no século 21, com a possibilidade de usufruir do avanço da ciência e da tecnologia, assim como ter independência, autonomia e poder de decisão, trazem grandes vantagens para o viver. 

   A evolução da medicina me ajuda muito na manutenção da saúde, assim como praticar atividades físicas e usar a internet, que favorecem a diminuição da solidão,  a busca de novos conhecimentos, o contato social e constante atualização.

   Tenho observado que, com a pandemia pude sentir mais a influência das estações do ano, no meu envelhecer. No verão, sinto que muito calor baixa meu ânimo e diminui a vontade de me mexer. Nesse inverno, senti mais frio, menos vontade de sair às ruas (apesar da pandemia não recomendar), fiquei mais contraída, que provocou mais dor nos ossos.

   Em compensação, no outono e primavera sinto um frescor na alma.

   Amo apreciar a natureza e estar em contato com ela!

   Quando jovem, não pensava muito sobre o valor da Vida, mas agora, com 80 anos, me vejo refletindo muito mais sobre o tempo, sobre as perdas, sobre a necessidade de superação e valorização das pequenas coisas.

   Cada vez mais valorizo a família e os amigos e me sinto privilegiada de sentir cuidado e amor, em torno de mim.

   Me esforço pra aproveitar cada momento  e ter otimismo, pra sentir meu cotidiano o mais pleno possível!

    A consciência que a velhice está aí, me faz viver com gana e entusiasmo, de quem não pode perder tempo.

   Vivo a Vida com muito prazer!



   

   .

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Reflexão sobre o momento atual

Na quarentena que pra mim começou em março, fez com que eu continuasse na praia, em isolamento social. 
 Tenho voltado, esporadicamente, à POA, mas a maior parte do tempo me mantenho no litoral. 
 O tempo é meu problema, sempre ele, que passa muito rápido... já estamos em meados de agosto e a relação com a pandemia continua a mesma, um inimigo invisível que ameaça, sem tempo de acabar... 
 Quase inacreditável essa situação que se estende por tanto tempo!
 Quero viver como todo mundo quer, relaxar pra viver minha vida normal, mas ela permanece em estado de excessão. 
 Tento tirar o melhor proveito do dia a dia, em tarefas cotidianas, e me deslumbro em observar o mar, a praia, o nascer do sol, o nascer da lua, me mantenho atualizada, me comunico com a familia e amigos, mas o direito de ir e vir está abalado.  
Tento fazer exercícios, que antes faziam parte da minha rotina grupal, mas não sinto estímulo pra fazê-los individualmente. 
 Não tinha tranquilidade pra ler, mas Victor me estimulou a ler A bailarina de Auschvitz, de Edith Eva Eger, que me prendeu, finalmente. 
 É um livro de memórias, onde a autora, aos 90 anos, relata os horrores que passou nos campos de concentração nazistas e de como usou de sua capacidade pra elaborar o sofrimento atrós e se recuperar, sem esquecer o que passou. 
 Fiquei a refletir sobre o sofrimento e sobre as perdas de cada um, que não se pode medir, assim como a capacidade de superação e de resiliência.
 Sinto que é preciso viver um dia de cada vez, aproveitando o melhor que se possa hoje e sempre...

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Conscientização da limitação da idade

Registrar minhas emoções é um continuum de vida.
O escrever me ajuda a elaborar sentimentos e a dar significado ao que sinto, observo, leio ou experiencio...
No dia 02/02/2020 comemorei meus 80 anos, quando recebi muita demonstração de carinho da família e dos amigos.
Tenho consciência de que é um marco chegar a essa idade.
Procuro usufruir cada momento dando significado ao cotidiano e ao que me cerca com mais prazer e desprendimento, pra tentar estender o tempo, que cada vez mais acelera.
Começo a sentir que minha força não é mais a mesma, pois caminho mais devagar, levanto-me com mais cautela, canso mais e tenho que parar, quando faço muitas coisas.
A mente continua ativa, administro o que é meu com responsabilidade e autonomia.
Tento tomar decisões que não me onerem emocionalmente e não me pesem..
 Acontecimentos ocorreram no mundo, em março e me fizeram refletir e tomar consciência que faço parte do grupo de risco que, frente ao Corona vírus, tenho a necessidade de isolamento social, o que me fez continuar na praia.
De repente comecei a ficar doente com uma crise de garganta, dores no  corpo, não permitindo que continuasse sozinha no meu isolamento. Meu filho Victor veio me acompanhar , por todo esse tempo me dando suporte e cuidado.
 Tive muita dor e os medicamentos  deixaram-me enjoada, com dor de cabeça, com alteração de pressão, com inapetência e necessidade de exames, troca de medicação de pressão, uso de remédios fortes pra dor, novos exames, novas consultas, pra definir as causas de tudo isso, sempre acompanhada do meu filho e monitoramento de toda família.
 Mesmo doente, tive um orgulho danado dos cuidados que tive!
Estou demorando a voltar ao normal, mas me sinto cuidada, que me dá um conforto muito grande!
Ter consciência que não posso resolver tudo sozinha e que preciso de ajuda, foi um momento de aprendizagem.
Não estou habituada  a viver com inquietação, ansiedade, com afastamento pessoal físico, da família e dos amigos, com necessidade de uso de máscara, mantendo-me em casa, rodeada de noticias assustadoras, a todo momento.
 O perigo invisível se faz presente cotidianamente.
Hoje, avaliando esses fatos, reflito da necessidade de elaborar maduramente a chegada aos 80 anos, com consciência das limitações inerentes à idade.
Muitos sentimentos que vieram com a doença: impotência, frustração, tristeza, incerteza, insegurança, ameaça, irão ajudar à conscientização.
Eu, que valorizo o bem maior que é a Vida, me surpreendi sentir tudo isso e vejo que preciso  rever meus valores, pra bem usufruir as coisas boas que tenho o privilégio de ter.