Reflito sobre a velhice, equilíbrio e sobre o bem estar, que quero sentir.
Essa faixa etária em que me encontro, apesar de ser chamada de " melhor idade", não a penso assim, porque cada idade pode ser a melhor, dependendo de como se a vive.
Cada idade tem o seu encantamento e suas experiências, seus ganhos e suas perdas, que vão se acumulando, ao longo dos anos.
Não se pode pular etapas e cada faixa etária segue cronologicamente a anterior, e viver cada uma, não deixa lacunas na nossa evolução.
Chegar à velhice e negar essa fase, não traz vantagem e não ajuda a viver melhor.
Ter preconceito com a idade (ageismo) só prejudica àquele que terá o privilégio de envelhecer.
Envelhecer é singular, cada um envelhece com sua genética, com sua formação interna, com suas experiências acumuladas...
Refletindo, penso que usufruí intensamente de todos momentos da vida, sem importar-me com a idade que tinha.
Tinha "petróleo" interno, pra isso.
Claro, que assim me parece, pelas lembranças que carrego, desde que comecei a ter consciência do meu existir.
Busquei, na medida do possível, ter equilíbrio.
A ansiedade e agitação, muitas vezes, fizeram parte de mim, me desgastaram, emocionalmente, consumindo energia e causando sofrimento.
O tratamento analítico, por muitos anos, foi fundamental, na busca do equilíbrio emocional.
Vejo, hoje, que o importante, nesta etapa da vida, com as devidas limitações, é usufruir do equilibrio conquistado, para cuidar da saúde e fazer atividades físicas, como embasamento do bom viver.
Atendo hoje, muito mais, às minhas vontades, porque o que me importa é esforçar-me em buscar maneiras de superar incômodos e dificuldades que surjam, pra preservar minha independência, pra não perder a autonomia e ter prazer em usufruir, e não perder, o que a vida me propicia de bom.