sábado, 17 de setembro de 2016

Morte e solidão

Leio um artigo de Eliane Brum: " O mundo da gente morre antes da gente", sugerido pelo meu sobrinho Paulo, que me faz refletir sobre a morte e a solidão.
Aprecio muito a profundidade e consistência com que essa autora escreve.
 Li o livro " A menina quebrada" e comecei a admirar Eliane Brum. 
Essa morte antes da morte é um tema que fica mais aguçado, quando se perde alguém muito próximo. 
A morte do Alberto me fez viver a morte em mim. A vida mudou num instante! E, ele, simplesmente não mais está.
Enquanto juntos, por tanto tempo, sua presença física se fazia presente, no meu cotidiano, e colocávamos a morte muito longe! 
A longevidade, como realidade dos tempos de hoje, dificulta nos prepararmos pra idéia de morte e quando acontece, ficamos perplexos.
 Para quem morre, seu futuro está morto, as lembranças que possuía vão junto e isto é morrer, antes da nossa morte. Perdi pessoa tão próxima, que não me manterá mais em sua memória, pois o mundo da gente, como um "nós", foi com ele.
Quem fica mantém lembranças de quem morreu, tornando-o vivo dentro de si.
Aos poucos, minhas reflexões sobre morte e solidão me ajudam a exercer a resiliência e a buscar uma nova forma de viver, que amenize a dor da perda.