Algumas pessoas da minha idade são muito diferentes de mim, em muitos sentidos: na maneira de encarar a vida e na falta de participação, entusiasmo e atualização.
O valor numérico da idade é alto e me assusta, por não perceber cada tempo que passa.
Ser jovem mentalmente, ativa, atualizada e acreditar nas enormes possibilidades que a vida oferece possibilitam elaborar, em parte, a inexorabilidade do tempo. Fico pensando sobre o que aconteceu nesses anos todos.
Onde foram parar todos os anos que compõem minha idade?
Fico perplexa por sentir-me, por dentro, aquela normalista, que iniciou
namoro com Alberto, que noivou após dois anos e casou, após mais dois anos, concomitante à formatura.
Iniciei a experiência profissional, aperfeiçoei-me com a Faculdade e pós graduação, e com a maternidade, o que não me permitiu, por anos, refletir sobre a vida que levava e sobre mim mesma.
Agora, aposentada das diferentes funções, de maneira
gradativa, jovem interiormente, ao olhar-me ao espelho, vejo as marcas do tempo
que passou.
Soube acompanhar as transformações, em todas as áreas e
procurei atualizar-me em cada uma.
Faço várias coisas ao mesmo tempo, beneficiando-me com novas
aprendizagens e novas amizades. Cada desafio de aprender me encanta: a linguagem do
computador e da Internet assim como ler muito, preenchem meu dia a dia.
As surpresas da vida, boas e más, me fazem viver, superar e
procurar conviver com as marcas do tempo, com as rugas, com o sobrepeso, de
maneira equilibrada, seguindo em frente.
Durmo pouco, mas parafraseando os ditos de uma irmã: “tenho
a eternidade para dormir” e não me anseio com isso.
Fisicamente vou envelhecendo, mas em pensamento não me
acomodo, procuro não perder o espírito jovem que carrego comigo de entusiasmos
e sonhos, tirando proveito de tudo de bom, que acompanha e permite minha atual
idade.
Sempre afirmei que morreria sob protesto e, à medida que fico mais velha, procuro não pensar na morte, mas ela é parte da vida e não se pode saber como e quando vai ocorrer.
Espero que quando ela chegar não traga sofrimento a mim, nem aos meus.
Gostaria de sobreviver na memória dos que me são importantes, como modelo de bem viver e do meu melhor.
Na realidade, meu medo não é em relação à morte, que vem pra todos, mas em relação à dependência possível de ocorrer.
Na vida já tive perdas e essas sobrevivem dentro de mim, nas minhas memórias, às vezes tênues e, outras, muito real, atemporal.
E isso considero o sentido de uma vida, permanecer na memória dos que fazem parte do meu querer bem.
A condição humana sempre terá, em sua existência, uma angústia que preenche seu ser.
Procuro construir e dar sentido à vida e às coisas, para me fazer melhor entender e conduzir minhas ações, baseada de onde eu vim, para quê e para onde vou no mundo, convivendo o máximo que puder comigo,com minha família e meus amigos, valorizando esse convívio, como fundamental, para preencher de significados minha existência, sem deixar pesar a idade que tenho.